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domingo, 28 de novembro de 2010

Hoje eu corri debaixo de chuva (...)


De peito aberto contra as lembranças e pensamentos que sempre me atormentam e me deixam saudoso com tudo aquilo que já passou. Mas já passou. Meus pés atingiram as poças que agora trilham meu novo caminho e eu não sei o que me espera na próxima esquina. Ali posso começar tudo de novo; mas também posso pôr um fim no recomeço. O quão obscuro é o futuro? Eu sou seu refém. Refém do que pode me trazer e do que pode me tirar. Amanhã eu posso não estar aqui. Eu posso estar lá. Ah, como eu queria estar lá. Fazer de lá meu agora, fazer disso meu momento. Mas não vou correr o risco de tropeçar no meu maior inimigo. Meu maior inimigo sou eu mesmo, e esse eu que há de ser vencido. Expectativas e apreensões. Virtudes e defeitos. Tudo corre lado a lado, tão próximo que a qualquer momento tornar-se-ão um só. Os dias voam como eu nunca pensei que voariam. Me deixam pra trás, me deixam ao relento. Me sinto vagaroso em relação ao vento e inútil na tentativa de vencê-lo. Sou como uma praia à mercê de uma grande onda, que lavará tudo o que encontrar pela frente. Pois que me lave. Pois que me leve, e que no mar eu encontre minha utopia. Aquela que independente da dificuldade de minha caminhada, estará sempre a dois passos de mim, e a nenhum da eternidade.

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